
Retrato vivo, carne, átomos
Espírito indomável
No útero materno gestada
Nascida, no seio alimentada,
Cantigas pra nanar
Noites mal dormidas
Assim o tempo passa, o tempo cobra
Elos criados, valores impactados
Choro,revolta,crise,aceitação
Tantas lembranças,tantas mágoas
Pingadas em gotas no colchão
Verdades ditas, lâminas de cortar
Palavras a ferir e a machucar
Compreender e aprender
Que mãe e filha unidas
Na vida, mulheres vividas
História tramada e tecida
Colcha de retalhos burilada
Nas esperanças individuais
Mãe ,
Sei que queres minha felicidade
Mas deixa-me viver sozinha
Caminhar pela estrada da vida
Escolhendo minhas pousadas
Deixa eu sujar o meu vestido
Permita-me andar descalça
Eu quero sentir no corpo
As mudanças de minha alma
Aceite que sou complexa
Não esmigalhe meus sonhos
Não corte minhas asas
Solte as amarras, quero voar
Deixe-me planar no infinito
Seu medo aborta meu crescimento
Somos metades uma das outras
Seres históricos, únicos
Venha junto comigo
Desvendar o desconhecido
Hoje sou eu que digo “não”
Sem birra, sem cara feia
Escute o que tenho a falar
Sem críticas, sem medo
Não quero brigar
Temos caminhos paralelos
Temos opiniões particulares
Façamos de nossas conversas
Momentos de aprendizado
Acredite em mim, em nós
Entenda que a bifurcação
Era esperada e necessária
Hoje sou metade sua, metade minha
Reformulada numa metade nova
Sol Almeida
29/10/2008

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