
Espelho frio e insensível,
que revela minha carne, minha alma.
Que faz-me crítica, cruel e amarga.
O que vejo?
Meu exterior castigado pela labuta diária,
pelas escorregadas da gula, da falta de sensatez.
Que vê no fundo do meu olho o medo, a solidão...
Que mostra minha face morta para a vida pura.
Que ri de minha tristeza, de meus defeitos.
Não!!!! Pare de me ludibriar reflexo falso...
Você não me mostra a verdade de mim!
Esse corpo é temporário, casa de carne,
Ainda não reformado por descuido, mas foi bem usado.
Guarda em cada ruga,lágrimas de dor e alegria,
em cada estria, força,garra e luta,
em cada marca do tempo histórias lindas.
Não mostra o brilho de minha alma.
Meu perdão, minha luz escondida, mas viva em mim.
Não mostra meus tesouros, lembranças caras.
Não faz minha redenção e sim quer me jogar aos lobos.
Não, espelho frio,não me fará cometer o erro,
de ver apenas a superfície, de sentir pena e raiva.
Sou mais que uma mera imagem...
Sou mulher ,mãe,filha,irmã,amiga,anjo.
Sou fêmea, sou essência da alma do planeta.
Sou barro, sou metal, sou animal.
Sou tudo e sou nada,átomos juntos em forma declarada.
Sopro divino de um desejo ancestral.
Sol Almeida
17/09/2008

Nenhum comentário:
Postar um comentário