domingo, 2 de novembro de 2008

Minha verdade


Não minta, sua lábia não me engana,
pare de querer tampar o sol com a peneira.
Eu vejo, ouço, sinto,
na transparência de seus atos,
asperezas disfarçadas de agrados.
Dá com uma mão, tira com a outra,
cobra favores que nunca consenti em fazer.
Pensa que sou cega, que sou muda.
Fato é, que hoje percebo o quanto tola eu fui.

Hoje sinto na alma a dor pranteada,
que salga minhas lágrimas choradas.
Finjo ao mundo uma alegria falsa,
que diz quem não sou, sombras de mim.
Aliança acorrentada, que busca esconder,
esperanças esmagadas com farpas,
na estrada fria deste desamor.

Rosas murchas e desfolhadas,
morrem secas no lar sombrio.
Vida presa e solitária,
trabalha em silêncio sofrido.
Meu viço, minha delicadeza,
torturadas foram por palavras más.
Sufocada em papel servil,
deixei morrer no peito,
meu coração puro ,meu desejo de viver.


Liberte-se agora!
Não tente esconder-se no sonho.
Ele não te quer, somente te usa.
Faça as pazes com seu corpo.
A liberdade que procuras
Está diante de seus olhos!
Acredite na tua força,
busque revelar sua verdade.
Pelei e vença sua guerra,
faça no hoje e sinta na alma,
o vento que carrega perfumes,
da mulher que renasceu feliz.

Sol Almeida
03/11/2008

Juntos


Corpo em gozo,
saciada e trêmula,
sinto alegria de viver.
No toque quente, no beijo,
a pele ferve, o sangue corre,
fome saciada por você.

Tu sabes o que quero,
conhece minhas taras.
Entende meus gemidos,
sem eu precisar falar.

Tantos segredos revelados,
tatuados nos sentidos.
Corações que suspiram,
na carne quente, o suor frio.

Sinto-me segura...
amparada em seu amor.
Em seus braços perco-me,
para encontrar vontades,
esquecidas em mim.

Te quero vigoroso,
desejoso por descobrir,
que meu carinho,
é passagem garantida,
para ficarmos juntos,
agora e depois.

Sol Almeida
03/11/2008

Quando o meu corpo encontra o seu...


Amor que faz-me rejuvenescer.
Que entorna no sangue adrenalina,
ecoa no corpo energia pura
Cura a alma doente , faz-me viver.

Amor que busca na sintonia do toque,
aplacar calores, tremores,
falar o que o peito não diz.
Você me completa, faz-me feliz.

Sentimento que aguça sentidos,
chacoalha o coração solitário,
arrepia a pele,tonteia.
Vida que corre solta nas veias mornas,
secura na boca,saliva molhada,
no encontro de bocas necessitadas.

Fome de sentir na carne quente,
sensações esquecidas no passado.
Te amo! Te quero! Te espero...
Livre de qualquer medo ou culpa,
te entrego minha alma nua,
para necessidade minhas e tuas.

Vem aqui forma desejada,
desenhar caminhos no meu ser,
deixando eu beijar cada cantinho,
exploração deliciosa de fazer.
Vem aqui pedaço de bom viver,
deixa eu saciar-me de você,
sentir no corpo a ternura de suas mãos,
na boca a quentura dos beijos teus.

Ah...vontades que me permitem,
sonhar acordada, estremecer,
no sublime momento, onde...
meu corpo encontra o seu.


Sol Almeida
03/11/2008

Fel


Imensidão que se apresenta diante de mim...
Solidão ... suave alívio que toca meu espírito.
Liberdade desejada e tão temida...
falta pouco... para o último suspiro.
Portas de minha alma lacradas
abertas serão.
Meu diário chega ao fim após longa trajetória.
Rugas marcam minha pele antes viçosa,
corpo esquálido jogado na cama,
sem vergonha da nudez melancólica.
Vivi e fiz o que quis, não posso negar,
se fui infeliz só a mim posso culpar.

Tempo perdido em promessas vãs,
não há volta, não há cura, não há saída...
Águas rolam sob a ponte que transpus,
deste cárcere imaginário que fiz-me prisioneira.
Fiz-me rascunho de minha felicidade,
Fui cruel com minha melhor amiga...
Fui surda as minhas angústias,
abandonei minha consciência.
Sufoquei minha inocência,
burlei, ignorei, minha pureza.
Eu busquei a saída mais fácil,
volitei tal qual borboleta,
que diante da luz,
acredita estar no paraíso.

Saudade de ontem, voltar no tempo,
na memória crua que traz dor gotejada.
Lágrimas que rolam na carne rasgada,
na garganta seca, palavras sufocadas.
O perdão desejado, remédio que cura,
não posso ter, esperança apagada.
Espelho que reflete minhas sandices,
estilhaça minhas necessidades,
corta minhas veias,
minha carne quase morta.

No vazio sinto a ausência,
na demência sinto medo...
Corpo exaurindo-se aos poucos,
coração que ainda bate no peito,
almeja o descanso eterno.
Sono da morte venha depressa,
levar-me para onde preciso ir,
quero dissecar minhas dores,
purgar o fel que há em mim...

Sol Almeida
02/11/2008