
Imensidão que se apresenta diante de mim...
Solidão ... suave alívio que toca meu espírito.
Liberdade desejada e tão temida...
falta pouco... para o último suspiro.
Portas de minha alma lacradas
abertas serão.
Meu diário chega ao fim após longa trajetória.
Rugas marcam minha pele antes viçosa,
corpo esquálido jogado na cama,
sem vergonha da nudez melancólica.
Vivi e fiz o que quis, não posso negar,
se fui infeliz só a mim posso culpar.
Tempo perdido em promessas vãs,
não há volta, não há cura, não há saída...
Águas rolam sob a ponte que transpus,
deste cárcere imaginário que fiz-me prisioneira.
Fiz-me rascunho de minha felicidade,
Fui cruel com minha melhor amiga...
Fui surda as minhas angústias,
abandonei minha consciência.
Sufoquei minha inocência,
burlei, ignorei, minha pureza.
Eu busquei a saída mais fácil,
volitei tal qual borboleta,
que diante da luz,
acredita estar no paraíso.
Saudade de ontem, voltar no tempo,
na memória crua que traz dor gotejada.
Lágrimas que rolam na carne rasgada,
na garganta seca, palavras sufocadas.
O perdão desejado, remédio que cura,
não posso ter, esperança apagada.
Espelho que reflete minhas sandices,
estilhaça minhas necessidades,
corta minhas veias,
minha carne quase morta.
No vazio sinto a ausência,
na demência sinto medo...
Corpo exaurindo-se aos poucos,
coração que ainda bate no peito,
almeja o descanso eterno.
Sono da morte venha depressa,
levar-me para onde preciso ir,
quero dissecar minhas dores,
purgar o fel que há em mim...
Sol Almeida
02/11/2008

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