
Não minta, sua lábia não me engana,
pare de querer tampar o sol com a peneira.
Eu vejo, ouço, sinto,
na transparência de seus atos,
asperezas disfarçadas de agrados.
Dá com uma mão, tira com a outra,
cobra favores que nunca consenti em fazer.
Pensa que sou cega, que sou muda.
Fato é, que hoje percebo o quanto tola eu fui.
Hoje sinto na alma a dor pranteada,
que salga minhas lágrimas choradas.
Finjo ao mundo uma alegria falsa,
que diz quem não sou, sombras de mim.
Aliança acorrentada, que busca esconder,
esperanças esmagadas com farpas,
na estrada fria deste desamor.
Rosas murchas e desfolhadas,
morrem secas no lar sombrio.
Vida presa e solitária,
trabalha em silêncio sofrido.
Meu viço, minha delicadeza,
torturadas foram por palavras más.
Sufocada em papel servil,
deixei morrer no peito,
meu coração puro ,meu desejo de viver.
Liberte-se agora!
Não tente esconder-se no sonho.
Ele não te quer, somente te usa.
Faça as pazes com seu corpo.
A liberdade que procuras
Está diante de seus olhos!
Acredite na tua força,
busque revelar sua verdade.
Pelei e vença sua guerra,
faça no hoje e sinta na alma,
o vento que carrega perfumes,
da mulher que renasceu feliz.
Sol Almeida
03/11/2008

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