quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Trajetória



Pés descalços na areia molhada
Alegria de criança entoa gargalhadas
Na pele o gosto do sal que a língua percebe
Liberdade juvenil que constrói castelos
Na tarde de domingo, vestido molhado

Pipoca, algodão doce,, tubaína geladinha
Gira –gira , carrossel, roda gigante
Olhinhos confiantes de esperança
Balões, balas, pirulitos, cata-vento
Mãos dadas, vestido novo, segredos

Papel, lápis, bilhetes, primeiro amor
Olhares vagos, beijos roubados
Mãos suadas, perfume, batom
Alegria, saudade, vergonha
Vestido enfeitado de sonhos

Mudanças, casa nova, tristeza
Caixas de lembranças amarradas
Peito doendo, distância dilatada
Caquinhos soltos dentro da alma
Jeans e camiseta básica

Na agenda contatos novos pra fofocar
Música, dança, unhas pintadas, anseios
Rebeldia, desconfiança, mentiras soltas
Coroas na boa são todos cafonas
Mini blusa, mini saia, gloss e gandaia

Livros, horas fazendo cálculos
Pesquisa de cursos, calendário
Nova etapa, novas angústias
Exames, consultas, futuro planejado
Terninho, salto alto, currículo recomendado

Fecho os olhos e uma lágrima ganha vida
Suspiro, uma batida pesa o peito
Saudade vem chegando de mansinho
Tingindo as memórias de tons mesclados
Minha história, minha estrada, meu legado
Trama tecida pela vida que carrego na carne

Sol Almeida
12/12/2008

Cálice



Estou no alto da montanha
Meus dedos tocam as nuvens
O vento espalha meus cabelos
Sinto a liberdade na alma
Meu coração bate forte no peito
Quero pular e voar no infinito

O vento sussurra promessas
Tentada, fico na ponta dos pés
Tocar as estrelas, os cometas
Volitar entre os planetas
Rasgar as cortinas do tempo
Ser uno com o Cosmos

Deixar as amarras da Carne
Sem temor alçar o espaço
Buscar minha essência
Quebrar os grilhões da culpa
Abrasar a dor da separação
Repensar quem fui nesta vida

Tantas lembranças vívidas
No cálice do espírito tilintam
Cores, perfumes, toques, sons
Esperanças, tristezas, alegrias
Caldeirão sentimental borbulha
O Ontem e o hoje em sincronia

Trilhas, estradas, atalhos, pousadas
Meu mapa astral, meu caminhar
Desperto em minha cama, sozinha
Sorrio encantada, serena permaneço
Pois no sonho vivi emoções maravilhosas

Sol Almeida
11/12/2008

Natal


Sorrisos, mesa decorada, árvore no canto da sala,
no presépio brilha a estrela da boa Nova...Jesus nasceu!
Presentes trocados, abraços, alegria toma conta,
família reunida, celebrando a fraternidade entre os homens.

Assim deveria ser em todos os lares, assim deverá ser um dia...
Mas por hora há crianças sem lar, famílias com fome não só de comida.
Passaram-se dois mil anos e ainda o flagelo da dor reina entre nós,
perante a Lei Divina somos uma única família, em muitas moradas.

Desde o castelo abastado até um casebre na mata virgem,
o sofrimento não escolhe sua morada, adentra e se instala.
Possui muitas máscaras, mas seu objetivo destroças à todos,
pregos martelados na alma sangram, lacrimejam dores.

Entre as notas musicais tocadas, há gemidos sussurrados,
esperam mãos carinhosas trazendo a água do batismo de fogo.
A esperança que tocará seus corpos e mudará seu amanhã,
a verdadeira caridade que liberta e não aprisiona.

Solidariedade, amor, companheirismo, bondade, amparo,
presentes de luz que nenhuma moeda dourada pode comprar,
Tesouros da alma iluminado por um coração humilde,
um irmão mensageiro da essência do Evangelho.

Um prato de comida, um emprego, uma roupa, um lar,
um abraço de perdão, um sorriso de seja bem vindo,
alegrias que iluminam rostos marcados pela solidão,
que no momento fazem palavras sagradas serem reais.

Talvez eu não veja esses momentos, talvez sim,
Mas peço a Deus todos os dias para que a Humanidade,
entenda que sem a união, nosso mundo hoje sofre
E talvez a premonição bíblica aconteça e em pó termine.

Sol Almeida
09/12/2008

Apaixonada


Tanto tempo já se passou e aqui ainda estou
Minhas memórias, meus segredos, minha estrada
Um corpo cansado, porém ativo, ainda busca sonhos
Viver novas aventuras, mundo a fora , sentir novos sentimentos.

Minha moldura talvez não tenha tanto viço
Porém trago no olhar meu desejo de te conhecer
No meu sorriso um convite amigo para te ouvir
No aconchego de meus braços um coração pra te amar

Estou livre e desarmada, não tenho medo da solidão
Se sigo só é somente por ainda não ter te encontrado
E assim continuo pois o tempo não para e requer minha atenção
E vivendo espero ansiosa ver você no hoje ou no amanhã

Para escrever nossa história com todas as letras e cores
Abrir portas, voar montanhas, desvendar os mistérios da vida
De mãos dadas correr estradas novas ou antigas
Ressignificar , reler , recomeçar, um novo capítulo da alma.

Sol Almeida
06/12/2008